Vinho Espumante: O Rei das Celebrações

“El Champagne es uno de los elegantes extras de la vida”

Charles Dickens (escritor e novelista inglês)
Catedral de Reims, França

Vinho Espumante é um nome genérico que pode ser branco, rosado ou tinto.

Na França é mais conhecido como Champagne; na Itália é Prosecco; na Espanha se chama Cava; na Alemanha é Sekt e nos Estados Unidos é conhecido como sparkling wine. Em outros países, simplesmente espumante.

Há para a elaboração desses vinhos vários métodos, dos quais dois são mais importantes: o Método Charmat e o Tradicional.

O processo Charmat, conhecido na Itália como Método Martinotti, foi desenvolvido em 1895 pelo italiano Federico Martinotti e foi aperfeiçoado em 1907 por Charmat. Êste consiste em misturar, em um tanque de aço inoxidável e sob pressão, o vinho com açúcar e leveduras.

Quando o açúcar é convertido em álcool e dióxido de carbono, a levedura é filtrada, removida e o vinho é engarrafado. Quanto mais tempo durar a fermentação, maior será o aroma do vinho com bolhas mais finas e duráveis.

É um método mais econômico do que os outros e muito usado nos Estados Unidos, Itália, Alemanha e em algumas regiões da França.

O Método Tradicional, também conhecido como champenoise, é o mais conhecido e, qualitativamente, o mais importante. Consiste em adicionar ao vinho base uma mistura de açúcar e leveduras, objetivando promover uma segunda fermentação na própria garrafa onde se formará gás carbônico que é incorporado ao próprio vinho.

O método foi desenvolvido em 1693 pelo monge beneditino Don Pérignon, na região de Champagne (França) e por isso se chama champegnoise.

Don Pérignon, grande pesquisador do tema, também desenvolveu garrafas mais fortes para suportar a pressão interna dos champagnes, assim como diferentes processos de “assemblage” (misturas) de diferentes uvas tintas e brancas de diversos locais (terroirs) e anos.  

Esse método foi modernizado ao longo dos anos em suas várias etapas como a “degola” na segunda fermentação, que tradicionalmente era feita manualmente, e que agora é feita com o uso de máquinas (gyropalletes) que giram automaticamente as garrafas, com a colocação posterior das típicas rolhas, e da armação de metal no seu entorno (habillage em francês).

Nesse post dedicar-me-ei somente à Champagne. Posteriormente, daremos espaço a outros espumantes.

Champagne e suas castas

Não duvidaria afirmar que a champagne é a rainha dos vinhos espumantes.

Minha primeira grande experiência com essa “rainha” ocorreu em fevereiro de 1977. Com um grupo de três amigos da Universidade de Freiburg, viajávamos para passar um final de semana em Paris. Paramos na cidade de Reims, próxima a Paris, para visitar um amigo de Kadro, nosso colega Sírio de doutorado.

Reims é a capital da região de Champagne – Ardenne, situada no Departamento (Estado) de Marne.

Phillipe, um médico francês que havia estudado medicina em Freiburg, já nos esperava. O jovem médico nos convidou a várias degustações de Champagne além de nos transmitir o que sabia sobre a elaboração e história da famosa bebida e da região de Reims.

Conhecer a história de Reims é conhecer bastante sobre a formação da França atual.

Voltei a passar algumas vezes mais pelo Departamento de Marne e, mais recentemente, Jane fez uma linda visita a essa histórica região francesa trazendo informações bem atualizadas.

São três as castas responsáveis pela Champagne: A uva branca chardonnay e as tintas pinot noir e pinot meunier.

Quando o vinho dessa região é elaborado somente com uvas brancas, recebe o nome de Blanc de Blancs (o branco dos brancos).

Os solos da região de Reims são formados por uma mistura de marga, giz, areia e argila; essa composição confere uma acidez ao sabor e mineralidade ao aroma, perfeitas para o desenvolvimento das três uvas antes mencionadas. Esse terroir é crucial para a qualidade da Champagne.Grandes nomes que hoje conhecemos como Taittinger, Moet & Chandon, Pommery, Ruinart, Veuve Clicquot e tantos outros, surgiram nessa região à partir de 1720, no século 18.

Região de Champagne

Tipos de Champagne

O teor de açúcar da dosagem (etapa inicial do processo de produção da champagne) define o tipo da champagne que será produzida.

Essa quantidade varia de mais de 50 gramas de açúcar por litro e a champagne resultante é doce, até menos de3 gramas por litro (champagne Brut Nature).

A mais consumida pela maioria de apreciadores é a Brut (seco) cujos teores de açúcar oscilam entre 10 e 15 gramas por litro.

Entre os extremos Doce e o Brut Nature existem o Demi Sec (meio doce) com 33 a 50 gramas de açúcar por litro e o Extra Brut com um máximo de 6 gramas de açúcar por litro. Pessoalmente, prefiro os que tem o mínimo de açúcar residual, ou seja, Brut Nature, Extra Brut e Brut.

Estilos de Champagne

Non- Vintage: É o estilo mais comum e básico da champagne. É elaborada com vinhos base de diferentes regiões do Departamento de Marne.

Representa cerca de 82% da produção e consumo das champagnes produzidas.

Vintage: Elaborada com vinhos base de determinado ano, cuja colheita foi considerada excepcional ou muito boa. São champagnes superiores, mais exclusivas e por isso, mais caras.

Prestige Cuvée: São as champagnes “super-vintage”. De excepcionais qualidades e muito caras originadas de colheitas de anos excepcionais, e que são comercializadas em embalagens especiais. São consideradas as mais nobres das champagnes.

Blanc de Blancs e Blanc de Noirs: São champagnes elaboradas exclusivamente com uvas chardonnay (as brancas) ou em mistura (assemblage) de Pinot noir com Pinot meunier, ou só Pinot noir.

Casas (“Maisons”) Produtoras

Poderia citar, pelo menos, umas 50 “Casas Produtoras” da região de Champagne, contudo, mencionarei unicamente aquelas que mais apreciei durante esses tantos anos.

  • Bollinger (comuna de Ay)
  • Mumm (Reims)
  • Heidsieck (Reims)
  • Krug (Reims)
  • Möet & Chandon (Comuna de Épernay – Dom Pérignon)
  • Pommery (Reims)
  • Roederer (Reims)
  • Ruinart  (Reims)
  • Taittinger (Reims)
  • Veuve Clicquot (Reims)
  • Deutz (Ay )

Para finalizar é interessante registrar que há um espumante francês, elaborado pelo método tradicional, fora da região de Champagne, que é o Crémant.

Recomendo os Crémants da Alsácia, do Vale de Loire e da Borgonha os quais que conheço muito bem. Vale a pena degustar lhes.

Obrigado por seguir-me e até a próxima.

2 respostas para “Vinho Espumante: O Rei das Celebrações”

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