Vinhos da República Checa

“Every empty wine bottle is filled with stories” (Cada garrafa de vinho vazia está cheia de estórias)

Praga vista do Vinhedo de São Venceslau

Como cantava o grande compositor popular italiano Gino Paoli “eravamo quatro amici al bar”. E assim foi em uma tarde/noite de outubro de 2010, onde estávamos quatro amigos em um bar/trattoria de Trastevere, Roma, antecipando as comemorações de minha aposentadoria da FAO que ocorreria alguns meses mais tarde. Assim são os amigos, sempre buscando um motivo para celebrar.

Saboreávamos algumas “pastas”, acompanhadas de um Brunello di Montalcino pois, o momento exigia um vinho à altura.

Milan, um dos amigos, era Checo e, em determinado momento, fez a pergunta: Quem nessa mesa já degustou um vinho do meu país? Silêncio total!!

Salvo Milan, ninguém se aventurou a dar palpites. Porém, todos exaltavam as virtudes das cervejas checas, especialmente, a Pilsen Urquel (a primeira pilsen a ser produzida e a única que pode ser chamada de Pilsener) e da Budwa (Budweiser). Nada que ver com a modesta cerveja americana.

Os checos são os maiores consumidores de cerveja do mundo, com 160 litros per capita/ano. A mesma cerveja foi inventada por eles, na cidade de Lager.

Bom, voltando ao vinho, eu até que me saí bem com o Milan pois informei que em uma semana iríamos, minha esposa e eu, a Praga.

O colega ficou muito entusiasmado e me ofereceu várias recomendações sobre os vinhos e a gastronomia do seu país, assim como de tantas outras atrações desse belo país.

Esse pequeno post trata dessa visita e de minhas descobertas sobre o mundo vinícola checo.

A Vitivinicultura Checa

A antiga Checoslováquia compreendia as atuais República Checa e a Eslovênia e sua área vinícola era de 37 000 hectares.

Com as mudanças políticas de 1989 e a separação em dois países, a República Checa ficou com apenas 12 000 hectares de vinhedos (atualmente já são 16 000 hectares) e a Eslovênia, com os restantes 25 000 hectares.

A República Checa, como ilustra o mapa abaixo, faz fronteira com a Alemanha, Áustria, Eslovênia e Polônia. Possui duas regiões vinícolas. Morávia, situada a sudeste do país (250 km de Praga) é a principal região produtora de vinhos, com 96% dos vinhedos que se concentram ao redor da cidade de Velké Bílovice. Trata-se de uma pequena cidade com apenas 900 hectares de vinhedos e 1070 vinícolas.

A segunda região é a Boêmia, situada a norte de Praga, e possui 4% dos vinhedos do país. Essa região faz fronteira com a Alemanha.

A principal zona de produção se situa ao redor da cidade de Melnik que está 30 km ao norte de Praga.

Ao visitar Melnik recomenda-se, ao apreciador de vinhos, visitar o Centro Enológico da Universidade de Praga onde será possível ter uma visão global do desenvolvimento da vitivinicultura do país.

É interessante observar que os vinhos da Morávia têm um “sotaque” mais austríaco enquanto os da Boêmia seguem a linha alemã.

De forma semelhante à Áustria, a República Checa elabora, principalmente, vinhos brancos. Cerca de 73% dos vinhos nacionais são brancos.

Como a produção nacional é relativamente pequena (aproximadamente 760 mil hectolitros) e os mais de 11 milhões de habitantes consomem 23 litros de vinhos per capita/ano, quase toda a produção é consumida no país.

As Castas

As castas brancas principais são a Grüner Veltliner (austríaca), Müller Thurgau (alemã e suíça), Riesling do Ren (alemã), Pinot gris (Ruländer Alemã) e algo de Gewürztramine (alemã); Chardonnay e Riesling itálica são plantadas em menores proporções.

As tintas principais são Pinot noir (francesa) e a Portuguesa azul (alemã), embora se cultive a Saint-Lauren, a Cabernet sauvignon e outras também são cultivadas em menor escala.

São 35 as castas autorizadas para cultivo no país, e todas já foram descritas em posts anteriores.

De forma geral, os vinhos são produzidos por pequenos produtores considerando que a área de produção total é pequena e pulverizada.

O Vinhedo de São Venceslau

Praga é uma cidade além de muito bonita, de alto nível cultural, artístico, histórico e arquitetônico. Aqui se respira música clássica, jazz e tantas outras formas de arte. O movimento turístico é impressionante!

O autêntico jazz na ponte Carlos IV sobre o rio Moldávia

Uma das maiores atrações da cidade é o Castelo de Praga, Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO. É o maior castelo do mundo!

Uma das atrações do castelo é a catedral de São Vito e o Vinhedo de São Venceslau que está na parte posterior do castelo.

Esse vinhedo foi plantado pelo mesmo São Venceslau (Padroeiro da nação Checa) no século X.

Atualmente, o vinhedo não possui mais de 2500 videiras que produzem, cerca de 2250 garrafas, anualmente. Essas garrafas são presenteadas pela Presidência da República a dignitários estrangeiros e algumas são consumidas em um dos três restaurantes que existem no coração do vinhedo, na famosa Villa Richter, palácio construído em 1830.

São duas castas plantadas no vinhedo de São Venceslau: Pinot noir e Riesling do Reno. Degustei ambas. A Pinot noir no meio do vinhedo (foto abaixo).

Durante o almoço no restaurante -bistrô de vinhos da Villa Richter, degustei um Riesling acompanhando uma bela truta checa.

O Bistrô, embora mais simples que os outros restaurantes, tinha uma coleção apreciável de vinhos, não somente checos como italianos, alemães e franceses. Os preços são menos apreciáveis!

De forma geral, os checos daqueles anos eram vinhos simples, porém, honestos e bons. O branco chamou mais minha atenção, pois, traduzia bem a acidez de riesling. Contudo, menos aromático que um alemão do Reno e menos seco que o riesling da Alsácia.

O importante desses vinhos era a rica e bela história que os acompanhava. Como dizia o amigo Milan em 2010: “em meu país o vinho é ainda mais paixão do que negócio”. Atualmente, o cenário está mais globalizado, porém, não tão diferente.

Por outro lado, Praga vista do vinhedo é ainda mais bonita.

Dekuji! /Thanks/ Obrigado.

Nos vemos em breve/ See you later!

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