Mendoza: A Capital Mundial do MALBEC

A  la media botella de vino siempre le faltará la outra mitad” 

(Ramón de la Serna-español)

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A “Ruta Nacional 7” é a estrada que liga Santiago do Chile a Mendoza, Argentina. Em muitos fins de semana é sempre um prazer “encher o tanque do carro” e partir para Mendoza. São cerca de 364 kms. que se pode percorrer em 5 horas ou pouco mais. Cruzar os Andes por essa estrada é uma linda experiencia que fica gravada para sempre na memória.

A minha primeira viagem a Mendoza ocorreu em 1998, justamente na década que aconteceu a grande revolução na produção do malbec sob a batuta do Sr. Nicolas Catena que elaborou o primeiro vinho 100% malbec. A historia do Economista Catena, que antes vivia na California é bem interessante e merece uma boa leitura e creio, foi um verdadeiro visionário e estudioso (porém não a contarei nesse pequeno espaço que temos).

A cidade de Mendoza é a outra parte boa da viagem. Linda cidade e toda arborizada com plátanos, amoreiras e outras árvores e com seus canais de irrigação que cruzam toda a cidade, construídos há muito tempo pelos índios Huarpes e seu enorme, verde e lindo Parque Municipal General San Martin. Nem parece que estamos em uma cidade árida no meio de um deserto!!

O clima de Mendoza é muito quente e seco no verão, com invernos curtos, muito frio e com pouca chuva (200 mm por ano).

Na realidade Mendoza, para mim, tem outras duas “atrações” que são imbatíveis: Os famosos “bifes de Chorizo” e os deliciosos vinhos da região.

Um passeio pelas vinícolas e parreirais está entre meus favoritos!! Com referência a essa observação, se o visitante ou turista visita pela primeira vez a cidade, recomendo começar o passeio por uma visita a “Ex Bodega Giol” em Maipú. Fundada em 1887 por Juan Giol e Bautista Gargantini que fundaram a Bodega La Colina del Oro, e já em 1898 elaborou seus primeiros vinhos.

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Bella passegiatta!!! Mendoza!!

Essa vinícola foi a maior do mundo em sua época e o visitante poderá apreciar o maior barril de vinhos que se tem notícia, além de visitar o museu do vinho e ter uma ideia mais completa do processo de desenvolvimento da vitivinicultura argentina. Depois dessa visita, que considero parte da história, se está melhor preparado para conhecer outras inúmeras e modernas vinícolas que Mendoza possui.

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Ex-Bodega Giol: Museu do Vinho
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Maior barril de vinho que se tem notícia

A Casta e o Vinho

A Malbec na Argentina, como a Carménère no Chile, é uma casta de dupla nacionalidade já que é originaria do sudoeste da França na região de Cahors onde é conhecida por diferentes nomes além de Malbec (Côt Noir em Cahors, Pressac em outras regiões) porém se adaptou maravilhosamente às condições ecológicas e vitivinícolas do “terroir” argentino.

Foi trazida para a Argentina em 1853, pelo Engenheiro Agrônomo francês Michel Aimé Pouget antes dos problemas fitopatológicos (Oídio, Filoxera, Míldio) ocorridos no século19 na Europa (história bem parecida às outras castas trazidas nessa época para o Novo Mundo).

Hoje a casta é tão importante que a Argentina instituiu o Dia Mundial da Malbec, 17 de abril, celebrado em todo o mundo. Esse foi o dia que Michel Pouget trouxe para Mendoza as primeiras estacas de Malbec.

Atualmente a Argentina possui 39.486 hectares plantados com Malbec dos quais 86% estão em Mendoza (34,095 hectares).

A Argentina é atualmente o quinto maior produtor e consumidor mundial de vinhos atrás somente da França, Itália, Espanha e Estados Unidos; e Mendoza produz 64% do vinho argentino e 84% das exportações de todo o vinho nacional sendo conhecida como a Adega Argentina.

O país foi declarado pela GWC (Great Wine Capitals Global Network) como uma das principais regiões mundiais na produção de vinhos.

Recentemente James Suckling, Ex-Editor do Escritório Europeu da Revista Wine Spectator e conhecido especialista Sênior em vinhos de todo o mundo, em suas classificações anuais, selecionou os 100 melhores vinhos da Região Andina (Chile e Argentina) e entre os 10 melhores estão 6 Malbec argentinos,1 Cabernet Franc/Malbec argentino, 1 Pinot Noir Chileno e um Cabernet Sauvignon Chileno, o que demonstra o nível dos Malbec mendoncinos.

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As castas de malbec possuem uma pele bem fina (em algumas regiões a pele não é tão fina!!) e necessitam mais calor que a cabernet sauvignon e merlot para amadurecer. Seu vinho é de uma cor vermelha bem escura, violácea, com doces e equilibrados taninos (na boca os taninos são bem suaves) e um aroma em geral característico de ameixas, cerejas e passas de uva. Muitas vezes austeros ao nariz, porém são de uma adorável acidez. Envelhecidos adquirem sabores de baunilha e chocolate. Seus vinhos devem ser tomados entre 16 e 18 graus de temperatura para que seus taninos não se sintam agressivos ou adstringentes.

Para meu gosto, o malbec de Luján del Cuyo (zona alta do Rio Mendoza), é o que mais me atrae. Pessoalmente prefiro aqueles mais jovens e frutados; a excessiva presença de madeira (aroma e sabor a baunilha e café), tira a graça e vivacidade do vinho, porém reconheço que existem muitos apreciadores que preferem esse tipo de malbec.

As características enológicas do malbec de Mendoza são diferentes dos malbec produzidos em outras regiões. Os de Luján del Cuyo e do Vale de Uco são de uma cor intensa com uma expressão mineral, elegantes e com notas a certas especiarias (condimentos) e florais. Igualmente o malbec argentino é bem diferente do californiano ou francês.

A malbec é também muito usada em misturas (assemblage, cortes) com cabernet sauvignon e franc, merlot ou mesmo gamay tanto na Argentina e, especialmente, na França. Os vinhos de Cahors, por exemplo, devem ter por lei, 70% de malbec (os outros 30% são de merlot e tannat).

Nas proximidades da Cordilhera dos Andes o malbec alcança sua máxima expressão e o que contribui para isso são os solos profundos com muito material pétreo, calcário e com pouca umidade. A irrigação é feita por gotejamento ou por canais dos rios que vem do degelo das neves dos Andes. A altitude afeta positivamente a qualidade das uvas de malbec em Mendoza.

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“el vino no debe ser consumido de forma irreflexiva, sino com placer  y cultura de forma inteligente” Carlos Marx, 2003 

 

Notas Gastronômicas

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O Vinho Malbec acompanha muito bem as carnes vermelhas (gordas ou magras), sejam assadas ou cozidas, os churrascos, sejam argentinos, chilenos ou brasileiros, frangos assados, corderos assados, ou carnes de porco. Também fica muito bem com os queijos duros como roquefort, parmesan, defumados ou mesmo mussarela. Além do mais, vai muito bem com pastas com molhos de carne. A minha experiencia com Spaghetti al Pesto foi “ma canudo”!! Além disso são excelentes com carnes de caça. Pessoalmente tive boas experiencias com carne (cozida na panela) de Javalí (na Argentina, Uruguay e Itália).

Minha preferencia é acompanhar o malbec com um bife de Chorizo, ou uma “Costela”. A costelinha me lembra meus bons e queridos tempos no Rio Grande do Sul em Santa Maria da Boca do Monte!!

Que disfruten!!!!!! Buen Provecho!!!!

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Agora… vamos voltar ao meu sax tenor e depois… ver como se comporta meu jovem Malbec… Saúde!!

(Now… let’s return to my tenor and afterwards… enjoy my “young” malbec). Cheers!!

Gracias y hasta la proxima.

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