Primitivo or Zinfandel??? That’s the question!!!

Education leads to knowledge and enjoyment” Robert Mondavi

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Em 1978 visitamos Washington DC a convite de um velho amigo florestal, Jim Space, do Serviço Florestal dos Estados Unidos.

Jim e sua esposa Helen nos visitaram antes em Freiburg, Alemanha,e estávamos a retribuir a visita.

Em Freiburg, como era de se esperar, degustamos bons vinhos alemães, franceses e alguns italianos. Jim queria conocer melhor os vinhos europeus “in loco”. E curiosamente mostrou um interesse especial por um tinto italiano pouco comum na Alemanha, pelo menos naqueles anos. Se tratava do tinto Primitivo da Puglia que na oportunidade acompanhou nosso jantar com um cordeiro assado.

Na visita que fizemos a Jim e sua esposa Helen em Washington D.C. Jim nos serviu durante o jantar um tinto e fazendo menção que se tratava de um Primitivo. Achei esse Primitivo diferente , mais frutado além de mais forte,porém com características organolépticas de um Primitivo. Para minha surpresa no final do jantar Jim nos mostrou a garrafa e se tratava de um Zinfandel da California.

Naquele momento passei a me interessar pela “novidade” e anos depois visitei o vale de Sonoma na California para melhor conhecer a casa do Zinfandel. O interessante é que onze anos antes do nosso jantar na casa dos Space um professor norte americano, creio que de Davis, havia descoberto que as duas castas eram irmãs gêmeas. Jim conhecia a historia, porém, eu nao sabia. Aí estava a razão do seu suspense e curiosidade pelo Primitivo.

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No Vale Napa da California conhecendo alguns vinhedos de Zinfandel

A Realidade???

Ambas variedades tintas são, segundo testes de DNA, geneticamente equivalentes pois são clones de uma rara casta Croata a Crljenak Kastelanski (CK), que foi introduzida na Itália no século 18 e nos Estados Unidos no século 19, em 1820, como presente do Governo Imperial Austríaco. Ou seja, a CK é a “mãe” do Primitivo e do Zinfandel.

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Primitivo
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Zindafel

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Na ITÁLIA, se supõe ser conhecida como Primitivoh6 por amadurecer antes de todas as outras variedades; os vinhos elaborados são de coloração vermelho-rubi, pesados e com alto teor alcoólico e com sabores e aromas a amoras, violetas e pimentas e os mais afamados Primitivos são da região costeira de Manduria na Puglia (bem no salto da bota italiana).

No passado essa região era produtora de vinhos bem simples porém a qualidade dos seus vinhos está aumentando consideravelmente. À título de informação mencionaria outra uva dessa região a Negroamaro que tem se destacado como produtora de excelentes vinhos; porém esse será tema de outro artigo.

As castas da Puglia devido ao alto calor e intensa luz solar, contém altos teores de açúcar e os níveis de álcool estão acima dos 14%. Muitos colhem as uvas tardiamente o que confere certo gosto de passas ao vinho. Se recomenda que esses vinhos acompanhem carnes vermelhas grelhadas ou assadas, pasta com molhos de carne ou queijos maduros e fortes. É só uma sugestão!!!

Boa quantidade dos vinhos da Puglia (Apúlia) é exportada para o norte da Itália onde são misturados (corte e assemblage) com vinhos locais para que melhorem o corpo e estrutura desses.

A Denominação de Origem Controlada (DOC) “Primitivo di Manduria” pode também se referir a tres tipos de vinhos de sobremesa (fortificados): O Doce Natural (16% de álcool), o Licoroso Doce Natural (17,5% de álcool) e o Licoroso Seco (18% de álcool). Há também várias DOG (Origem Geográfica) muito bons.

Nos Estados Unidos, o melhor Zinfandel é elaborado nos vales de Sonoma e a nordeste de Napa (área bem quente já perto do deserto). Atualmente essa casta já corresponde a 11% dos vinhedos da Califórnia.

O tempo de amadurecimento da Zinfandel não é longo e o seu nível de açúcar é alto devido as condições do seu “terroir” na Califórnia.

Semelhantes ao Primitivo, os vinhos da Zinfandel tem aroma frutado, coloração rubi violácea forte, alto nível de tanino, acidez equilibrada e alto teor alcoólico (14 a 15%). No paladar destacam-se frutas vermelhas como a ameixa, amora, cereja e, os mais envelhecidos,apresentam sabores de baunilha ou mesmo tabaco. Além disso, são castas de alta produtividade e muito resistentes a doenças e podridão.

Durante muitos anos era mais apreciada para a produção de passas (lembram-se das caixinhas vermelhas de California Sundried Raisins?) e vinhos baratos de caixa ou de jarras de 2,5 litros.

Nos anos 1970/1990 grandes produtores californianos como Robert Mondavi e as vinícolas Ridge, Turley e Ravenswood, redescobriram o verdadeiro potencial enológico da Zinfandel e iniciaram, sob novos princípios tecnológicos, a produção dos vinhos de qualidade que hoje conhecemos.

Nota Final:

O “terroir” da Califórnia e da Puglia são distintos e seria de se esperar que o comportamento das “mesmas castas” apresentassem diferenças em produtividade e em algumas características organolépticas, mesmo tratando-se de sub-clones de uma mesma uva; ainda que sejam irmães gemeas, elas têm suas “próprias personalidades”.

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Celebrarei o final desse post com um Primitivo DOG da Puglia (Apulia) da “Cantine San Marzano” da cidadezinha de San Marzano di San Guiseppe, situada a 23kms de Taranto (capital da Província) … bem no “salto da bota”.

Até a próxima!

 

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